26.7.10_São Joaquim e Sant'Ana PDF Imprimir E-mail
Escrito por D. Elredo   
S. Joaquim e Sant’Ana
26 de julho de 2010.

    ImageCaríssimos Irmãos e Irmãs.
    Hoje celebramos a festa dos pais de Nossa Senhora.
    A festa de Sant’Ana tem a sua origem no oriente do século VI. No ocidente ela aparecerá no século X. e se consolidará a partir do século XII por influência dos cruzados, que vinham da Terra Santa. A comemoração de S. Joaquim é mais recente. Muito provavelmente surgiu no século XIV.
    Como bem sabemos, os Quatro Evangelhos canônicos nada mencionam sobre os pais de Nossa Senhora. Porém temos três outros textos apócrifos, o Proto-Evangelho de Tiago, o Evangelho do pseudo Mateus e o Evangelho da Infância que trazem o relato da vida de Joaquim e de Ana.
    Conforme o mais antigo deles, o Proto-Evangelho de S.Tiago, Joaquim e Ana eram piedosos e ricos israelitas da tribo de Judá, possuidores de grandes rebanhos. Não tinham filhos, e, portanto eram motivos de ignomínia entre o povo.
    Um dia Joaquim, que foi ao Templo apresentar uma oferenda, viu-a, tristíssimo, ser recusada pelo sacerdote, justamente por causa da esterilidade de sua esposa. Arrasado pelo insucesso, ao invés de voltar para casa, com os rebanhos buscou a montanha, desesperado.
    Durante cinco meses, ninguém, nem mesmo a esposa, ouviram falar de Joaquim. Esta se deu por viúva, aumentando assim a sua dor. Mas um dia, um Anjo aparecera e dissera-lhe que Joaquim voltaria e que em breve seria mãe.
    Na montanha, também Joaquim recebeu o mensageiro de Deus, ordenando-lhe que voltasse para casa e que em breve seria pai.
    Quando Joaquim já estava próximo o Anjo apareceu mais uma vez a Ana e pediu que fosse ao se encontro. E assim se deu, na chamada Porta Dourada, ambos se encontraram. Nove meses após esse encontro, Ana deu à luz sua filha Maria.
    Uma belíssima história já conhecida entre o povo eleito.Assim fora a história de Sara, mãe de Isaac, de Ana, mãe de Sansão e de Isabel, mãe de João Batista.
    No ritmo da natureza, Deus se irrompe e acrescenta o sobrenatural. Aquela que é estéril dá à luz muitos filhos, como cantamos no Salmo 112. Portanto, obra de Deus e dos homens.
    Uma mulher estéril, como em todas as religiões primitivas, era uma maldição, assim como a terra lavrada, semeada e regada pela chuva que não produzia frutos.
    É comum encontrarmos nas religiões primitivas o simbolismo do encontro entre o céu (o homem) e a terra ( mulher), e dessa união produzir vida.Por isso em todas as religiões arcaicas a terra é chamada de Mãe Terra.
    Maria, sem intervenção humana, conceberá pelo Espírito Santo e será comparada à terra fértil sem igual, onde a semente germinou: Jesus Cristo, nosso alimento salutar.
    O que aconteceu no seio da Virgem, repetimos em rito esse fenômeno, quando sobre o altar o céu desce e a terra sobe para se unirem e nos darem o sacramento do Corpo e o Sangue do Senhor, alimento da vida eterna.
    Maria foi, no seio de Ana concebida sem pecado original. Mas nem por isso plenamente humana e não destituída de liberdade e vontade. Sua educação ministrada por sua mãe garantiu-lhe ser a mulher perfeita, esposa casta e mãe fecunda.
    Certamente aprendera a ser discípula já em casa para ser mais tarde de seu Filho Jesus. Aprendera igualmente a viver o sofrimento como participação na obra da salvação. Por isso esteve em pé ao lado do Filho crucificado. (Stabat Mater)
    Há um aprendizado que não existe substituição, aquele que se faz através dos pais. São imprescindíveis.
    Formar , educar é muito mais do que transmitir informações. É contato físico, é profundidade do olhar, são gestos explícitos, resistências ao mal em paciência e tranqüilidade, atitudes altruístas que preparam para a vivência do perfeito amor: perdão aos inimigos, fidelidade aos valores familiares, etc.
    Grande parte das enfermidades hodiernas vem, sem dúvida alguma, da ausência dos pais na educação de seus filhos. Não será a televisão que passará os verdadeiros valores às crianças, pelo contrário; nem as escolas, que hoje precisam substituir a presença dos pais, como se isso fosse possível.
    Vivemos numa cultura hedonista e com uma eficiente indústria do anti-sofrimento, que tem deixado homens e mulheres completamente debilitados,  física, psíquica e espiritualmente.
    Antes de terminar, narro-lhes uma história de uma jovem mãe que conheci.
    Após a quarta gravidez sem poder dar à luz, em conformidade com o esposo, adotou um menino recém-nascido. Alguns meses depois, o casal percebeu que a criança tinha sérias deficiências.
    Recebendo uma visita de uma grande amiga, eis que esta lhe disse: “Como amiga, quero dar-lhe um conselho: devolva essa criança que não é normal, pois vocês sofrerão muito com ela.” A mãe adotiva deu um tapa no rosto da amiga e respondeu:”essa criança não é um mercadoria defeituosa, é meu filho”. Gesto violento, mas profético, exatamente como o de Jesus entre os mercadores do Templo.
    Caberá sempre  aos pais ensinar a seus filhos viver as alegrias e os sofrimentos que a vida os impõe. Ensinar-lhes que ninguém projeta uma vida para ser feliz, mas para fazer outros felizes. Nas palavras de Jesus: “Eu vim para servir e não para ser servido”. E mais, com gestos proféticos transmitir aos filhos que amar é a forma natural de ser autêntico discípulo de Cristo.
    Que Ana e Joaquim intercedam por todos os pais e avós, que são pais pela segunda vez, na verdadeira educação cristã de seus filhos.
    Assim seja.