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30.4.10_Por Uma Eucaristia Mistagógica |
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Escrito por D. Jerônimo Pereira, OSB
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"Ardentemente desejei comer convosco esta ceia pascal." Lc 22,15 Por uma Eucaristia Mistagogica Nas minhas férias de 2004, com apenas seis meses de ordenado presbítero, fui convidado para presidir a Eucaristia de um determinado grupo na minha diocese. Depois do Canto do Glória o ministro de música que animava a assembléia convidou todos a levantarem as mãos e elevarem a Deus "uma grande oração de louvor", que durou cerca de vinte minutos. Naquele momento "batizei" esse ato de "insuficiência ritual", ou seja, entendi que aquela comunidade não via o rito como celebração. O Concílio Vaticano II, para falar da missa, usa o termo Celebraço Eucaristica. A palavra "Eucaristia" vem do grego e quer dizer "Ação de Graças" . O próprio termo indica que se trata mais de uma atividade, uma ação que de uma realidade material: Eucristia é a açaõ ritual de dar graças! Assim todo o rito celebrativo da missa é eucarístico, de açao de graças. Essa é uma ação da Igreja , povo de Deus, esposa do Cordeiro, santa assembléia reunida e enriquecida de ministérios e ministros : presidente, leitores, cantores, acolitos, ministros extraordinarios da sagrada comunhão etc. Assim todos nós celebramos a Eucaristia e comemos do Pão sobre o qual foi pronunciada a oração "Eucarística". Comer do Pão e beber do cálice é o sinal de que estamos em comunhão. Sem essa compreensão uma pessoa pode pensar que participar da mesa da eucaristia é "mais importante" que "guardar" as leituras, cantar o versiculo do Salmo Responsorial, cantar os canticos propostos àquela celebração Na celebração eucaristica nao existem ritos mais importantes ou menos importantes, ao contrário toda a ritaulidade "diz" o que é o mistério e nos introduz nele. Por isso nao se pode reduzir o sacramento ao "essencial" porque tudo é essencialmente importante numa celebração . Convém lembrar que a celebração eucarística não é uma repetição da última ceia de Jesus, nem mesmo uma representação, mas uma re-apresentação , um reviver, um atualizar do evento salvífico que é a Páscoa de Cristo. O rito da celebração nos transporta ao cenáculo, ao calvário e ao sepúlcro vazio. Enquanto estamos com os pés corporais fixus no chão, os pés espirituais percorrem com Cristo os seus dias de paixão. A celebração Eucarística começa com os Ritos Iniciais. Eles abrem a celebração com uma procissão de entrada do presidente com ministros do povo de Deus, acompanhados pelo Cântico de Entrada. São os ritos da reunião da Santa Assembléia, da congregação. Esses ritos dão nome a Igreja (Convocação). Por meio deles somos introduzidos no tempo da graça - kairós - e a divindade irrompe no nosso tempo - kronos. Eles são ricos de alegria (cânticos: Entrada, Kyrie, Glória), de comunicação (acolhida), reflexão (ato penitencial) e nos indicam a dimensão mistérica daquela celebração (Coleta). Esses ritos nos intruduzem no cenáculo onde o Senhor desejou ardentemente comer conosco a sua Pascoa. A Litrugia da Palavra é o momento dialogal da Sagrada Reunião. Sentados, em sinal de atenção, escutamos a Promessa de Deus (A.T.) e contemplamos a sua plena realização em Jesus Cristo e sua atualização na vida da Igreja (Evangelho e Leitura da Epistola). Respondemos com júbilo cantando (Salmo e Aleluia). O diálogo se transforma em vida (Homilia) que nos conduz a afirmar a fé (credo) e a esperar no Senhor que não abandona o seu povo (oração da assembléia). É o próprio Senhor quem nos fala enquanto estamos à mesa. Seguindo uma antiqüissima tradição apresentamos dons ao Senhor como sinal de que somos uma família (apresentação das ofertas), e sobre esses dons "o que preside ", em nome de toda a Igreja, pronuncia a "mística oração de ação de graças " (Oração Eucarística) e o Pão santificado alcança por fim o seu objetivo: formar a Igreja: "Para que participando do Corpo e Sangue de Cristo sejamos reunidos pelo Espirito Santo num so corpo" (Manducação do Pão Eucaristizado). Só pode participar desse Pão aquele que tem a consciêcia de Deus como um "Pai comum a todos" e que é capaz de dividir a PAZ com os irmãos. É a Liturgia Eucaristica. Aqui fica claro que é Jesus mesmo quem celebra a Eucaristia . Ele fala na primeira pessoa. Os Ritos Finais revelam que a Igreja fez a experiencia do Ressuscitado e escuta a sua voz a envia-la a percorrer o mundo "levando a todos a boa-nova do Reino".
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